Lipe Machado
Product designer
Arezzo&Co / Grupo SOMA
Defini onde ficava a fronteira entre padrão e liberdade de marca, e a governança que fez o sistema sobreviver a times diferentes.
Cada marca queria expressão própria e cada time resolvia os mesmos problemas de forma diferente. Isso produzia inconsistência de comportamento, retrabalho e acessibilidade tratada caso a caso. A decisão central era onde colocar a fronteira entre padrão e liberdade: padronizar demais apaga a marca, padronizar de menos multiplica o custo.
Coordenei Product Design em grupos multimarca, onde cada marca precisa de identidade própria dentro de um mesmo sistema de produto. O trabalho não foi desenhar telas: foi decidir o que é consistência obrigatória e o que é flexibilidade legítima de cada marca, e escrever isso de um jeito que os times conseguissem aplicar sem mim.
O sistema separou três camadas: fundação (grid, espaçamento, estados, acessibilidade), tokens de marca (cor, tipografia, forma) e componentes compartilhados. Marca vive nos tokens; comportamento e acessibilidade vivem na fundação e não são negociáveis.
Fui responsável por definir a arquitetura do sistema em camadas (fundação, tokens de marca, componentes) e pela governança: quem propõe, quem revisa, como um componente entra e como uma exceção é aprovada.
Escrevi as guidelines de acessibilidade dentro do sistema, tratando contraste, ordem de foco, alvo de toque e estados como parte da definição do componente, não como revisão posterior. Trabalhei com engenharia para que os tokens fossem a mesma fonte de verdade no código, evitando divergência entre o desenho e o que sobe.
Mentoria: conduzi revisões de design recorrentes com o time, usando o sistema como ferramenta de formação, e participei de processos de contratação de designers.
O sistema passou a resolver no nível da fundação o que antes era resolvido tela a tela: contraste, ordem de foco e comportamento de componente deixaram de ser decisão individual de cada time. A governança definida no projeto (quem propõe, quem revisa, como uma exceção é aprovada) continuou em uso depois da minha saída.
Padronizei comportamento, acessibilidade e estrutura de componente, e liberei cor, tipografia e densidade por marca via tokens.
Alternativa descartada: Padronizar também a camada visual: consistência total e marcas indistinguíveis, que é exatamente o que o grupo não pode ter.
Defini quem propõe, quem revisa e como uma exceção é aprovada antes de crescer o catálogo de componentes.
Alternativa descartada: Publicar a biblioteca primeiro e organizar depois: adoção inicial rápida, seguida de forks por time.
Coloquei contraste, ordem de foco e alvo mínimo de toque nas guidelines do sistema, como critério de aceite do componente.
Alternativa descartada: Tratar acessibilidade como revisão no fim de cada projeto: retrabalho recorrente e resultado desigual entre marcas.

Rio de Janeiro, RJ